ATA DE POSSE DO 2º BISPO DIOCESANO DE GOIÂNIA – ESTADO DO GOIÁS – DA SANTA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA BRASILEIRA – ICAB.
29/08/2019
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DISCURSO DE POSSE

Exmo e Revmo Sr. Dom Waldemir Araujo Ribeiro, DD Bispo Diocesano de Novo Planalto e Porangatu e Conselheiro Regional Centro Oeste do CE/ICAB, Dom Bartolomeu Sebastião Vilela, DD Bispo Diocesano de Brasília e Dom José Carlos Ferreira Lucas DD. Bispo Coadjutor de Brasília e Conselheiro Tesoureiro do CE/ICAB, Padres, Diáconos, Seminaristas, Ministros leigos, autoridades civis, militares e eclesiásticas aqui presentes e Santo povo Cristão, paz e bem!

Hoje é um dia de grande alegria para a Igreja de Goiânia, pois que o nosso Glorioso Menino Jesus de Praga nos ilumina com um raio de sua luz, de uma nova aurora, para que seu evangelho pregado pelo Catolicismo Nacional seja conhecido nestas terras do cerrado.

É bem verdade que outros apóstolos do Senhor já se aventuraram nesta tarefa tão onerosa, de um modo muito especial o nosso antecessor Dom Enrique Javier Souza Rodrigues de saudosa memória, que com muita luta edificou este Santuário e nos trouxe, nos brindou com a linda devoção ao Menino Jesus de Praga em Goiânia.

A missão do Ministério religioso é grandiosa e importante. Não é à toa que na primeira leitura, São Paulo falando aos seus conterrâneos judeus mostra-lhes a importância de todos se manterem submissos e obedientes, pois os pastores devem velar sobre as almas e dar contas delas a Deus. Os Bispos têm, na Igreja Católica, a função de estarem à testa do sacerdócio presidindo a todos os sacramentos, sendo os legítimos sucessores dos Apóstolos de Jesus. Nossa Igreja Católica Brasileira tem sua sucessão arraigada em Dom Carlos Duarte Costa, homem temente a Deus, valoroso Apóstolo que não teve medo de enfrentar a perseguição das autoridades que tentaram cercear a liberdade religiosa de nossa Igreja nos primórdios, firmando-se assim, no ideal de uma Igreja que se aproximasse do povo sofrido e menos favorecido, das pessoas excluídas e marginalizadas por seu estado civil, desmistificando os dogmatismos que tanto fizeram mal à genuína luz do Cristianismo.

A mensagem da igreja Nacional foi além do Brasil, ganhou nações e hoje em muitos lugares se faz ecoar esta voz que clama por Deus, Terra e Liberdade. O salmista está certo: “Povos aplaudi com as mãos, aclamai a Deus com vozes alegres”! A mensagem de Deus, o Evangelho do amor é proclamado, apesar de tantos se contraporem pelos seus interesses pessoais alvissareiros. Cristo vive em meio ao mundo, e a Igreja, a Sua igreja, caminha pelos pés dos que proclamam a boa nova da paz.

Neste ponto, a liturgia de hoje nos convida a meditar na Infância de Cristo. Para pensar isso nos vêm à mente sempre a analogia com a famosa Obra de Saint Exupéry, já traduzida em 235 idiomas: “O Pequeno Príncipe”. Já é um dos livros mais lidos da história. Existe um forte paralelo traçado com este livro, que nos faz pensar que o autor realmente estava tratando de Jesus Cristo contemplado na figura de uma criança.

Uma das mensagens mais fortes deste livro está no diálogo entre a raposa e o Pequeno Príncipe, em que o animal afirma que o “essencial é invisível aos olhos. O que isso quer nos dizer? Vivemos num mundo marcado pelo consumismo e materialismo, no qual as relações são em sua maioria quantificadas. Não sabemos mais descrever a beleza de tudo, pois para medir o valor de tudo colocamos sempre um preço. O que torna uma pessoa grandiosa, nesta perspectiva, é o que ela tem e não o que ela é. A realidade não pode ser apenas deduzida pelos nossos sentidos mais superficiais. A existência realmente não está limitada ao que vemos, ouvimos, sentimos, degustamos ou cheiramos! Existe algo muito além dos olhos! Jesus também quis provocar seus discípulos: ”Quem é o maior no reino dos Céus?” Será que estes homens e mulheres bem sucedidos,  com suas contas mirabolantes, seus projetos de grandeza, vaidosos em seus planetas individuais (como na História do pequeno Príncipe), são estas pessoas que são exaltadas no Evangelho como os maiores do reino? De modo algum!

Há uma imagem curiosa no início da história do pequeno príncipe. Um desenho que lhes mostro agora: O aviador, que é o narrador, o próprio Exupéry, conta que ele pegava uns rabiscos que ele tinha feito quando com 6 anos de idade do bolso e mostrava para as pessoas e dependendo do que elas dissessem, ele conversava sobre a vida corriqueira ou sobre elefantes engolidos por jiboias. É que a maioria absoluta achava que o desenho se tratava apenas de um chapéu. É isso mesmo! As coisas são o que elas são sob o meu olhar, mas a pergunta é: Este olhar corresponde à realidade? É preciso tornar-se uma criança para enxergar a realidade do Reino de Deus! Esta verdade que o Cristo proferiu há dois mil anos ainda continua viva e pulsante, porém muitos de nós somos tomados de simplismo e achamos que a vida é o que é! Nos prendemos na casca das aparências, sem buscarmos a essência. Inclusive o pequeno Príncipe tinha muita preocupação pelo que realmente se escondia na Essência de cada semente no seu pequeno planeta, pois existiam sementes de baobás que se arraigassem no planeta poderiam destruí-lo, pois o planeta pequenino não comportaria as gigantescas raízes daquela planta.

Algo importante que não se pode olvidar neste processo de evolução espiritual pelo qual passamos neste deserto da vida, é que o conhecimento que liberta advém de nossa humildade em recepcioná-lo. Jesus diz que devemos nos fazer humildes como aquela criança do Evangelho. Quando o pequeno príncipe estava na sua busca de si mesmo, afastando-se de sua rosa a quem atribuía uma certa arrogância, foi descobrindo personagens excêntricos, alguns cheios de si. Existia inclusive um geógrafo que anotava todo o conhecimento, mas que nunca experimentava para ver se era verdade. Apenas emitia um juízo a partir de sua própria visão de mundo. A humildade nos permite mergulhar no universo do outro e entender que podemos mudar sim, que podemos nos transformar, como nos diz o Mestre, pois esta transformação (metanoia = renovação da mente) é condição vital para encontramos a nossa rosa interior, ou seja, o  Reino de Deus que nunca esteve longe de nós!

No fim de tudo, o Pequeno Príncipe, picado pela serpente (que muitas vezes é o símbolo do mal encarnado para nós, mas que no fundo nos faz encontrar o melhor de nós) retorna ao seu mundo, elevado como uma estrela celestial, lá posta no firmamento a iluminar a recordação do amigo que o conheceu pelo deserto. Nessa vida, no nosso deserto pessoal, o Pequeno Príncipe Jesus se deixa encontrar, para que o Reino não seja apenas uma utopia de um mundo distante, mas de uma realidade que começa a partir de nós quando encontramos nossa criança interior. Esta criança humilde, obediente e fiel que devemos ser para que conheçamos de modo verdadeiro a vontade do Pai e a realizemos em nós. A Igreja nos quer conduzir pelas sendas espirituais, deixando para trás o peso das culpas, das dores e nos mostrando que é possível viver ainda aqui e agora de maneira mais leve!

Quero ainda em minhas palavras agradecer a todos os que estão irmanados comigo neste Ato Solene de hoje, aos meus irmãos que vieram de terras distantes, aos nossos irmãos que nos acompanham pela internet, aos fiéis, verdadeiros amigos que fizeram este momento acontecer e, para não ser injusto com ninguém, quero na minha família, minha esposa Cristiane e meus Filhos, Miguel e Rafael, minha mãe Luci, acolher esta Igreja de Goiânia, não só esta igreja local, mas toda a Diocese de Goiânia que ainda está por crescer, pois que Eles também acolhem, pois são eles que dividem comigo o cotidiano de minhas inquietudes. É assim, a nossa Igreja, uma Igreja da Família, para que sejamos família no amor!

Obrigado ao Nosso Menino, ao Pequeno Príncipe, que na palavra do Salmista é o Grande Rei do Universo, por nos brindar com esta parcela de seu povo eleito e santo, o seu pequenino rebanho, que pode não ser grande em quantidade, porém é único, como a rosa do pequeno Príncipe,  para que possa eu zelar por ele, acalentá-lo e protegê-lo dos carneiros e baobás da vida,  e dele prestar contas com alegria, pois em tudo procuraremos sempre o Bem maior que é a Salvação Nele, Por Ele e com Ele. Louvado seja N.S.J.C!

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